Escolha da Rota - A Peregrinação antes da Peregrinação

29.04.2015

Existem inúmeras possibilidades, muitas rotas de peregrinação que vão até Santiago de Compostela.  Você pode conhecer mais sobre elas aqui no site.

 

Optei por uma rota que eu conseguisse completar em 5 semanas, que era o tempo que eu tinha. Eu achava que seria muita coisa, ao mesmo tempo, eu imaginava que depois de um longo tempo caminhando alguma coisa em mim poderia mudar, e eu estava curiosa o suficiente para encarar essa.

 

A dúvida ficou entre o Caminho do Norte e o Caminho Francês. O primeiro inicia em Hendaye, na França, e vai bem pelo norte da Espanha, sendo possível avistar o Mar Cantárbico em boa parte do caminho e, inclusive, chegar a algumas praias. Não é uma rota tão movimentada quando comparada ao Caminho Francês, que é o mais popular. O Caminho Francês começa em Saint-Jean-Pied-de-Port, na França. Ambos ficam a aproximadamente 800 km de Santiago, sendo o do Norte um pouco mais longo.

 

Tomar decisões nunca foi muito fácil para mim, talvez o primeiro exercício do Caminho tenha sido justamente esse. Depois de pensar e repensar, fiquei mais inclinada (ainda não 100% decidida) a fazer o Francês, mesmo achando que seria incrível caminhar lado a lado com o mar. Para chegar à Espanha, eu peguei um avião até Santander. De lá, existe mais de uma possibilidade para chegar em Saint-Jean-Pied-de-Port. Sendo assim, decidi ir pelo caminho que ainda me permitiria pensar mais um pouco e decidir a rota de caminhada (pela cidade de Irún).

 

A peregrinação antes da peregrinação começou:

 

2h55 (sim, da manhã): Saí da casa onde eu estava em Karlsruhe, na Alemanha. Mochila nas costas e coração na boca. Rumo ao desconhecido. Cheia de expectativas, pois eu sabia que viveria um montão de coisas, mas não fazia ideia do quê, nem de como isso iria ser.

3h04 (sim, os alemães são bem precisos com relação aos horários): Peguei um bonde até a estação de trem.

3h37: Trem de Karlsruhe até Heidelberg

5h20: Ônibus de Heidelberg até o aeroporto de Frankfurt

9h55: Avião de Frankfurt até Santander

 

 

12h: Chegada em Santander

No aeroporto encontrei um grupo de pessoas com mochilas e equipamentos de caminhada. Tive que perguntar se eles iriam fazer o Caminho de Santiago (bem emocionada). Sim, começariam ali, em Santander, e caminhariam uma semana. Era o terceiro ano, o terceiro trecho de caminhada. No próximo, eles chegarão à Santiago.

12h30: Ônibus até a cidade (o aeroporto é afastado).

 

13h: Chego na estação rodoviária de Santander e descubro que o próximo ônibus para Irún sairia somente às 17h.

Isso me deu bastante tempo para conhecer a cidade. Tempo até demais. Passei a tarde circulando, começando a me acostumar com o peso da mochila, comprando o que eu não pude carregar no avião e matando tempo. Hoje vejo que eu poderia ter me dado conta de que chegaria meio tarde em Irún, mas tudo bem.

 

Baía de Santander

 

17h: Ônibus para Irún. Coração continuava na boca. E o frio na barriga aumentando à medida que chegava mais perto do início do Caminho.

 

20h30: Chegada em Irún.

É, eu estava num espírito de ‘deixa a vida me levar’, ‘vai dar tudo certo’ e ‘o que tiver que ser será’. Só que já eram quase 21h e o centro de informações turísticas (que foi meio caótico de encontrar, pois as pessoas não sabiam aonde era) estava fechado! A cidade era bem maior do que eu imaginava. Nada à vista, nenhuma placa, indicação, pessoa de mochilão, nada!

 

Sem maiores informações, sem mapas e sem saber para onde ir, encontrei um local com internet para procurar um lugar para dormir. Achei somente um albergue de peregrinos e uma pensão. Chegando ao albergue, adivinhem? Fechado!! Baixa temporada, só reabriria na primavera. Eu não poderia esperar 5 meses, sendo assim fui em busca da pensão. E adivinhem? Lotada! 22h30 e eu sem teto. Em último caso, dormiria na estação de trem. Super seguro e confortável, tudo o que eu queria depois de um longo dia que começou às 3h da manhã. Indicaram-me outra pensão.

 

Cheguei lá, 35 euros (em torno de 100 reais na época) para passar uma noite. Sem café da manhã. Era isso ou a estação de trem. Azar. Me vê um quarto. Exausta, ainda um pouco nervosa pela situação, mas feliz por ter um teto para passar a noite. Me sentindo uma total idiota por não ter procurado essas informações antes de chegar na cidade.

 

A decisão estava tomada, com toda a certeza e com todo o coração. Caminho Francês. Não queria passar por isso durante 5 semanas. Dias completamente sozinha, albergues fechados... Eu queria ver gente, conhecer, interagir e poder escolher os momentos de ficar só. Nunca me senti tão sozinha como naquele quarto de pensão. Acho que a gente se sente mais seguro e forte quando passa por essas situações com pessoas ao nosso lado. Pensar numa solução rápida, decidir e assumir a responsabilidade por tudo isso, não foi fácil.

 

No dia seguinte, peguei um metro até Hendaye, na França. De lá, peguei um trem para Sain-Jean-Pied-de-Port, com uma conexão na cidade de Beyonne.

 

 

Em Hendaye, já era possível ver pessoas com mochilas, botas e bastões de caminhada. Chamou-me a atenção um cara, com um guia na mão (que pude ver que era do Caminho) e que observava outras pessoas com mochilas grandes – assim como eu estava fazendo.

Na estação em Beyonne, comecei a conversar com esse cara. Stefan, um alemão que falava um pouco de português e já tinha morado um tempo em Ijuí, no interior do Rio Grande do Sul. Conversa vai, conversa vem, finalmente chegamos em Saint-Jean. Chegamos no início do Caminho de Santiago.

 

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